quinta-feira, 9 de julho de 2015

Aquele abraço que o tornaste despedida. para mim era tão somente mais uma forma de dizer que te amava. nem tanto talvez apenas um abraço casual, simples, mundano para te mostrar que amanhã o que eu mais queria era fazer de ti feliz. parecia-me tão simples. todos os dias me convencia de que sim, eras tu. não só eras tu como éramos nós. o tempo não existia, foi invenção alheia à procura de ser peça num puzzle perfeito. uma, duas, três conversas. era tão fácil falar contigo, mais do que isso era tão fácil dar-te a mão, ficar a olhar para ti. entendias-me. e eu pensava que te entendia. contigo sentia ter direito a ser feliz, mais do que isso a ser feliz para sempre. é fácil quando o tempo não existe.
já passou tanto tempo que hoje já não sei que nome te dar. podias ser cátia, diana, filipa, tânia, susana, inês. um destes nomes assentava-te tão bem. era teu desde que abriste os olhos mas não era nosso. comigo tinhas um diferente, um segredo de todos.
sempre quis ter alguém que tocasse para mim. piano, contrabaixo, violino. talvez fosse aquilo que mais amava em ti. uns esguios dedos tímidos à procura de um acorde coordenado com o bater dos nossos corações. alguém que me fizesse rir, que fizesse de uma gargalhada alimento. alguém com aquele simples jeito que não tem jeito nenhum mas que faz sentido assim desse jeito.
ah, mas o amor não é justo. talvez o problema tenha residido aí, em tudo o que eu queria. tudo o que eu ousei fazer de ti eras apenas tu sentada em cima de uns quantos sonhos meus. tu não eras tu e nunca foste tu, eras apenas um nome que te inventei e um abraço de amor que tornaste, comigo, despedida.

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