sábado, 28 de novembro de 2015

Em perdidos devaneios dou por mim a fixar a minha mão. Reparo que a minha face se contorce num pequeno movimento de compreensão, tal como os olhos assentem à tristeza que lhe reconheço. As mãos também podem ficar tristes. Onde há amor, há saudade, diziam-me. É isso, uma tristeza saudosista que a invade por te sentir longe.
Acabo por cair em mim, dentro de mim, apercebendo-me do quão contagiantes podem ser os sentimentos. E acabo por ouvir pequenos gritos de revolta daqui e dali, não se tivessem apaixonado os meus lábios ou o meu nariz. Sinto uma pequena saudade criada numa pequena esquina do amor que construí contigo.
No outro dia apanhaste-me a ver-te dormir. Gosto de te ver dormir, sabes? Ficas calma, adormecida, longe de todas as coisas que diariamente te assustam. Já alguém te disse que pareces gostar de entrar em sonhos? Ou não sabias que os recebes sempre com um inocente sorriso? Gosto de imaginar onde poderás estar tu agora. Se me deixaste para ir ter comigo. Calcorrear-te o rosto marcado, onde tenho promessas de beijos.
No outro dia acordei a meio da noite. E deixei-me ficar, simplesmente. Fugi-te a meio de um sonho e tu vieste atrás de mim. Quando os meus olhos se abriram tu já me tinhas apanhado e repousavas a cabeça no meu peito, serena, feliz parecias. E eu senti que naquele dia, naquela noite, foste a namorada que eu nunca tive.

~10

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